Introdução

Fabrico da rolha na garlopa. Copyright © Fotografia Júlio Pereira Dinis. Câmara Municipal do Seixal
Fabrico da rolha na garlopa. Copyright © Fotografia Júlio Pereira Dinis. Câmara Municipal do Seixal

Na indústria corticeira o processo de fabrico da rolha começa por ser manual com recurso a utensílios de corte.

Na fase de preparação da cortiça, depois do processo de raspagem, triagem e cozedura, o recorte, o rabanear (cortar tiras) e o quadrar (cortar em quadros ou paralelepípedos) é feito com recurso a uma diferentes facas. 

Quest3 image 1.3. introduction

O responsável pela realização dos quadros de cortiça era o quadrador. Veja na secção de recursos como este trabalho era feito.

Quest3 image 1.4. introduction

A fase de produção da rolha incluía dois momentos: o limar das arestas da cortiça que era feito por um aprendiz; ao qual se seguia o trabalho do rolheiro, o especialista que dava a forma definitiva à rolha utilizando a chamada “faca de burro”.

Quest3 image 1.2. introduction

Copyright © Ilustração Mafalda Paiva. Working the cork: http://www.mafaldapaiva.com/working-the-cork-final-layouts.html 

Tarefa

Garlopa. Copyright © Ilustração Mafalda Paiva
Garlopa. Copyright © Ilustração Mafalda Paiva

O processo de mecanização da produção da rolha dá-se com a introdução da garlopa. Este avanço tecnológico, à data da sua criação em França em meados do século XIX, fez aumentar a produção de 1000 – 1500 rolhas para 3 a 4 mil rolhas por dia. Veja, na secção de recursos, o vídeo que mostra o trabalho de um garlopista.

Esta máquina permitiu também diminuir o tempo de aprendizagem deste ofício e a introdução de mão-de-obra feminina nesta indústria.

Por exemplo, em reposta ao Inquérito Industrial de 1881 o industrial George Wheelhouse Robinson informa que a Fábrica de Cortiça de Portalegre (Fábrica Robinson) tem um total de 560 operários distribuídos da seguinte forma: 340 mulheres, 180 raparigas, 100 homens e 40 rapazes. Mostram estes números que a população da fábrica da rolha em Portalegre nas últimas décadas do século XIX era maioritariamente feminina.

Tomando como ponto de partida esta informação a sua tarefa será realizar a biografia de um garlopa.

Processo

Garlopa, exposição “Cork in Progress”. Copyright © Museo del Suro de Palafugell
Garlopa, exposição “Cork in Progress”. Copyright © Museo del Suro de Palafugell

Os objetos técnico-industriais no seu ciclo de vida passam por diferentes fases: fabrico, distribuição e consumo, e neste percurso muitos são destruídos, outros ficam abandonados, poucos são os que se preservam. Estes ao serem retirados dos seus espaços originais, perdem os seus contextos explicativos e os edifícios devolutos, ficam, agora, privados de serem lidos dentro de uma lógica funcional, tornando-se em armazéns industriais que acabam por serem reutilizados ou transfigurados sem referenciais técnicos que lhe atribuam personalidade própria. (Maria da Luz Sampaio. Da Fábrica para o Museu: Identificação, patrimonialização e difusão da cultura técnico-industrial, 2015, p. 4.).

Nesta sua tarefa de traçar a biografia de um objeto técnico-industrial terá como suporte metodológico a tese da especialista em património industrial Maria da Luz Sampaio intitulada “Da Fábrica para o Museu: Identificação, patrimonialização e difusão da cultura técnico-industrial”.

1ª Tarefa | Realize uma ficha de leitura da tese “Da Fábrica para o Museu: Identificação, patrimonialização e difusão da cultura técnico-industrial.” da autora Maria da Luz Sampaio. Procure compreender as principais ideias que são defendidas pela autora, as principais linhas teóricas e questões que são levantadas, os principais conceitos para que possa então traçar o seu exercício de biografia de uma garlopa.

2ª Tarefa | Identifique um museu de indústria, ou espaço pós-industrial, dedicado à indústria corticeira que tenha no seu espólio garlopas. Indicamos na secção de recursos links para uma primeira pesquisa.

3ª Tarefa | Contacte o museu que selecionou e procure saber, junto dos departamentos responsáveis, informações sobre o objeto que vai pesquisar. Neste caso, a garlopa. Deverá selecionar uma que será então o seu objeto de estudo.

4ª Tarefa | Desenvolva o estudo de identificação biográfica de uma garlopa, com base na metodologia que estudou na primeira fase deste exercício. Essa primeira abordagem teve como objetivo orientar o seu próprio percurso de investigação.

5ª Tarefa | Após concluir o seu estudo, explore as potencialidades de todas as informações que descobriu, até mesmo das informações que não descobriu pois essas também podem abrir pistas para novos percursos de investigação.

Resultados de aprendizagem

Conhecimentos

  • Conhecimentos aprofundados sobre Património Cultural e Património Industrial Móvel.
  • Conhecimentos básicos sobre as metodologias propostas para análise e estudo de um objeto/ artefacto técnico-industrial.

Aptidões

  • Realizar uma leitura crítica de um estudo académico.
  • Aplicar uma metodologia de análise e estudo de um objeto/ artefacto técnico-industrial.
  • Desenvolver um projeto de investigação com base numa metodologia específica.

Atitudes

  • Demonstrar espírito crítico e de análise.
  • Gerir o desenvolvimento de um projeto de investigação.

Conclusão

O exercício que lhe foi proposto irá permitir um percurso de investigação sobre os primórdios do processo de mecanização da indústria rolheira. Nesse percurso irá narrar não só a história de um objeto, mas todo seu entorno cultural e social. Nas palavras do investigador Marcus Dohmann narrar fatos da trajetória da humanidade, reconstituindo caminhos do processo evolutivo até as sociedades modernas compreende o cerne da questão para o historiador, para o qual todo objeto tem uma trajetória, uma biografia cultural a ser analisada. Todo objeto conta uma história e, para isso, torna-se fundamental estudar os artefatos a partir das suas interações sociais. Nesse sentido, a trajetória dos objetos introduz uma interessante questão: a biografia dos indivíduos nos objetos. Por trás de cada objeto há uma trajetória, quando compartilhada, pode revelar muito sobre histórias pessoais, costumes e tradições. (Coleções de objetos: memória tangível da cultura).