Introdução
Abrindo a porta para o passado Copyright©ISQ, LRamos, 2016
Como motivar os formandos para a aprendizagem? Por vezes, fugir à sala de aula não é suficiente. Ir atrás do guia do museu, que vai debitando palavra após palavra, num discurso sabido de cor, pode ser enfadonho e difícil de acompanhar. E, sala após sala, em grupo, quietos e em silêncio: "é proibido tocar!"
Os métodos de ensino tradicionais concebidos na altura da Revolução Industrial estão ultrapassados. Não podemos continuar a produzir pessoas padronizadas e continuar a ensinar e a aprender da mesma forma, como se estivéssemos numa linha de montagem de uma fábrica. Então, como podemos combinar património, uma herança do passado, com o futuro? Como podem os formandos aprender a partir de pessoas e lugares que são o testemunho vivo do passado, sem se sentirem entediados e desligados? Deixe-os colocar questões, deixe-os reinvindicar mais acontecimento. "Ajuda-me a fazer sozinho", disse Maria Montessori.
Nesta jornada, levamos os aprendentes à antiga Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, no Seixal.
A fábrica da pólvora fixou-se, em 1894, numa zona de matas e campos agrícolas da atual freguesia de Corroios. Mais tarde foi constituída a Sociedade Africana de Pólvora, Lda, que se manteve sob a gestão da família de Francisco Camelo até ao seu encerramento
A Sociedade Africana de Pólvora permaneceu em laboração até 2001, ano em que a Câmara Municipal do Seixal decidiu criar uma extensão museológica com base no circuito da pólvora negra, a fim de o integrar na estrutura territorial do Ecomuseu Municipal, começando por musealizar e abrir ao público a antiga e já desactivada Oficina de Carbonização, quando a fábrica estava na iminência de encerrar e em vias de suspender o alvará de produção de pólvora negra.
A extensão na antiga Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços visa a preservação e musealização de um conjunto classificado como monumento de interesse público em dezembro de 2012. O seu reconhecido valor patrimonial e de toda a área onde se insere o centenário Circuito da Pólvora Negra da antiga Sociedade Africana de Pólvora, Lda. (SAP), norteou a sua preservação e o projecto de estudo.
(adaptado do website da Câmara Municipal do Seixal)
Tarefa
© Lara Ramos, ISQ, 2016
Entregue aos seus formandos algumas fotografias do lugar que irão visitar. Neste caso particular, falamos da Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, no Seixal. Divida-os em pequenos grupos (equipas) e peça-lhes para trazerem os seus próprios aparelhos elétronicos (devices), tais como tablets ou telemóveis. Informe o curador ou guia - que poderá ser um antigo trabalhador da fábrica - para receber os formandos de uma forma mais livre, deixando que sejam eles a colocar questões e a decidir os próximos passos da visita. Acautele, contudo, que não são descuradas as questões de segurança e que o grupo deverá estar sempre acompanhado.
Processo
© Fábio Pereira, 2016
1. Peça-lhes que sejam criativos!
Antes de iniciar a visita, peça aos seus formandos/alunos que tentem encontrar os locais que vêem nas fotos. Instigue-os a recolher o máximo de informação possível relativamente àquelas imagens. Peça-lhes também que recriem as fotos - as poses e a postura das pessoas que aparecem nas imagens originais - e logo que identifiquem os locais, que as publiquem numa plataforma à sua escolha (por exemplo, na página web da escola, num blog da turma ou num grupo do Facebook).
Objetivo imediato: ter as fotos mais criativas publicadas online durante a visita.
2. Faça-os pesquisar!
Instrua os seus formandos/alunos a pesquisar o máximo possível sobre a fábrica e sobre os locais, as máquinas ou até as pessoas que fotografaram na sua primeira tarefa: a sua história, propósito, máquinas, formas de trabalhar, medidas de segurança associadas, regras, horários. Diga-lhes para pesquisarem on-line alguma informação e para a compararem, ao mesmo tempo, com o ambiente e a informação prestada pelo guia/antigo trabalhador. Aconselhe-os a tirarem notas!
3. Fazer as perguntas certas às pessoas certas!
Dê a indicação ao seu guia para deixar os formandos/alunos fazerem perguntas e, por assim dizer, orientarem o tema da visita. Por outro lado, dê incações aos seus formandos para fazerem ao guia tantas perguntas quanto possível, para descobrirem os "tesouros escondidos da fábrica", aqueles que não é possível encontrar na internet. Se quiser, pode dar alguns exemplos: "Trabalhou aqui? Como foi?"; "As máquinas ainda funcionam?"; "Pode contar-nos algo interessante sobre a fábrica que só você saiba?". Eles irão tirar notas, fotografias e filmes com os seus próprios aparelhos eletrónicos, recolhendo o máximo de informação e o mais variada possível.
© Lara Ramos, ISQ, 2016
4. Juntem as peças do puzzle!
No regresso, peça a seus formandos/alunos para reunir todas as informações - notas, fotos e filmes - e preparar uma apresentação sobre o que eles descobriram. Pode ser uma curta-metragem, uma apresentação multimédia ou a publicação de um artigo numa rede social; desde que seja criativo e com dados corretos.
Sugira que vão ao Google procurar mais informação e comparem as diferenças entre as duas fontes.
5. Debriefing
Após as apresentações de todos os grupos, peça-lhes para fazerem uma refleção final sobre toda a experiência: que tipo de informação conseguiram recolher durante a visita, in loco, que não conseguiram retirar da internet? Será que as duas fontes se complementam?
Resultados de aprendizagem
- Conhecimentos fundamentais da abordagem metodológica da aprendizagem autodirigida, recomendada para este tipo de visita
- Conhecimentos fundamentais dos conceitos e princípios do património pós-industrial
- Conhecimentos avançados dos princípios e regras da Comunicação, incluindo escuta ativa
- Reconhecer o património pós-industrial como recurso pedagógico
- Organizar a visita sob o ponto de vista prático (transporte, agendamento)
- Guiar os formandos/alunos na preparação da visita com vista a retirarem o máximo possível da experiência
- Assumir práticas pedagógicas alternativas de forma a promover a autonomia e a aprendizagem autodirigida nos formandos/alunos
- Utilizar de forma independente o património pós-industrial como ferramenta pedagógica
- Conceber o património pós-industrial enquanto instrumento num mecanismo de mudança social
- Mediar o diálogo intergeracional, convocando saberes e respeito pela história local



